O amor que começa
procurando no outro
algo que perdemos em nós,
é companheiro ou
portador de um egoísmo atroz?
E após o término.
Cercado de indivíduos
em um bate-papo.
Distraído.
Desconectado.
Estarei sozinho ou acompanhado?
Se crio forças
pra te esquecer
e sigo em frente
sou acomodado
ou resistente?
Viver é mescla.
Paradoxos são onipresentes.
Quem sou eu?
O alimento
que recebe a minha mente.
5 de jul. de 2015
25 de mai. de 2015
A dança
Dançamos.
Movimentos curvilíneos
macios e vagarosos
surgiam de forma descompassada.
Sem pressa,
nos envolvíamos numa coreografia
nunca antes ensaiada.
O clima sobrepondo o desejo,
o que explica a ausência de beijos.
Assim, preserva-se o ritmo.
Olhares insinuantes
ou elogios decorados
tornavam-se desnecessários.
Cada toque, um aperto
O abraço vinha do arrepio.
A banda composta de atores
cantava um soneto
e nós
bailando na platéia
tácitos,
em um contínuo
entrelaçar de dedos.
Movimentos curvilíneos
macios e vagarosos
surgiam de forma descompassada.
Sem pressa,
nos envolvíamos numa coreografia
nunca antes ensaiada.
O clima sobrepondo o desejo,
o que explica a ausência de beijos.
Assim, preserva-se o ritmo.
Olhares insinuantes
ou elogios decorados
tornavam-se desnecessários.
Cada toque, um aperto
O abraço vinha do arrepio.
A banda composta de atores
cantava um soneto
e nós
bailando na platéia
tácitos,
em um contínuo
entrelaçar de dedos.
6 de fev. de 2014
Esticador de horizontes
Estudo.
Dificil.
Matemática.
Desisto.
Geografia.
Assisto.
História.
"É isto!"
Com bullying
tremo. Sinistro.
Virar docente
O previsto.
Vestibular
um lixo.
Sou aprovado!
Que lindo!
Primeiro período
Deprimo.
Realidade profissional.
Um tiro.
Licenciatura.
Suspiro.
Educação popular.
Alívio.
Me formo.
Persisto.
...
Desempregado.
Resisto.
Professores
Uni-vos!
Nos pegaram
pra Cristo!
...
Sexto no concurso.
Vibro! Vibro!
Sou professor.
Enfim, existo.
Dificil.
Matemática.
Desisto.
Geografia.
Assisto.
História.
"É isto!"
Com bullying
tremo. Sinistro.
Virar docente
O previsto.
Vestibular
um lixo.
Sou aprovado!
Que lindo!
Primeiro período
Deprimo.
Realidade profissional.
Um tiro.
Licenciatura.
Suspiro.
Educação popular.
Alívio.
Me formo.
Persisto.
...
Desempregado.
Resisto.
Professores
Uni-vos!
Nos pegaram
pra Cristo!
...
Sexto no concurso.
Vibro! Vibro!
Sou professor.
Enfim, existo.
29 de jan. de 2014
Mardade
Ó saudade,
porque te definiram?
Quem por maldade
resolveu te nomear?
Como posso agora,
sabendo que existe,
do meu corpo
te afastar?
Se em outro país residisse,
onde ainda não acharam
palavra que te limite,
pensaria:
"o que arde no peito
e sobe até a garganta
é um mero devaneio!"
Onde vivo
te colocaram como
substantivo
comum,
repetitivo.
Que maltrata,
mas intensifica o amor
sentido,
quando for te encontrar.
10 de nov. de 2013
1 de nov. de 2013
Livraria
Engenheiros sabidos
Constroem um lugar
que tijolos subtraídos
fazem sua estrutura
se fortificar.
Como explicar?
Se livra
o livreiro
do livro
que livra
a pessoa
de se entediar.

Cada perda material
um ganho intelectual.
Ajudando o saber
a se galvanizar.
O conhecimento
amplo e vivo
será transmitido
se a fome do cérebro
o leitor saciar.
Lei
do leitor
é,
no leito, ler
livro,
do
latim, "liber".
Interior do tronco
da árvore Escrita
que ao ficar oco
se realiza.
Caro leitor,
após concluído
não cometa o pecado
de guardar o aprendido
para si, enjaulado.
O saber é passarinho
que até pia no ninho,
mas só tem beleza no canto
quando vê seu som, mundo afora,
compartilhado.
Constroem um lugar
que tijolos subtraídos
fazem sua estrutura
se fortificar.
Como explicar?
o livreiro
do livro
que livra
a pessoa
de se entediar.

Cada perda material
um ganho intelectual.
Ajudando o saber
a se galvanizar.
O conhecimento
amplo e vivo
será transmitido
se a fome do cérebro
o leitor saciar.
Lei
do leitor
é,
no leito, ler
livro,
do
latim, "liber".
Interior do tronco
da árvore Escrita
que ao ficar oco
se realiza.
Caro leitor,
após concluído
não cometa o pecado
de guardar o aprendido
para si, enjaulado.
O saber é passarinho
que até pia no ninho,
mas só tem beleza no canto
quando vê seu som, mundo afora,
compartilhado.
7 de set. de 2013
Dois mundos
Quando deixaram aberta a porta que divide
o mundo literário do real,
aconteceu o surreal!
Milhares de personagens saíram procurando
novidades por todos os cantos.
A cadela Baleia empanturrou-se com a comida desperdiçada nos restaurantes granfinos de Fortaleza.
Um encontro com militantes foi o suficiente para Dorian Gray redefinir seu conceito de beleza.
Robert Langdon decidiu investigar as múmias do Congresso Nacional.
Sofia descobriu a existência de um mundo além da Filosofia ocidental.
Gregor Samsa nunca mais virou barata, pois quando a solidão apertava, o Facebook o salvava.
A Iracema nos museus retratada, não era a mesma removida mensalmente do local onde morava.
Sísifo virou professor e sentiu saudade dos tempos em que empurrava pedra para o alto de um monte.
Os meninos de "O Senhor das Moscas" se viciaram em seriados, e não perdiam um episódio de Lost.
O homem que matou Getúlio Vargas morreu de desgosto ao saber que os maiores assassinos daqui, não o fazem pessoalmente.
A piada mortal dos humoristas do Monty Python fazia Coringa ter dores abdominais, frequentemente.
Holden Caulfield chorava ao ouvir no MP3 uma música famosa de Rita Lee.
Na estrada para África, Sal Paradise viu sua narrativa hipster se transformar em jornalismo denunciativo.
Ulisses não conseguiu emprego de herói, pois seu estilo épico já estava ultrapassado e cansativo.
Não se sabe se pela quantidade de máscaras suas nos protestos
ou se pelo regime ditatorial vivido nos dois universos.
2 de set. de 2013
Vou morar na escuridão para iluminar teu caminho
Carinhoso idoso.
Caridoso.
Multitarefa em tensa idade.
Intensidade.
No leito,
sempre leitor.
Feliz com suas muitas capacidades.
Felicidade.
Veio uma doença que digeria sua condição ativa.
Degenerativa.
Esquecimento.
Eis que cimento.
Venceu a dor.
Vencedor.
Deixou um choro de saudade naqueles em que convivia.
Chovia.
Do alto, refletirá amor, refletor?
Ou poeira estelar viraria,
Po
es
ia?
7 de ago. de 2013
22 de jul. de 2013
1 de jul. de 2013
Quantos milhões em ação? (versão reduzida)
O mais doloroso não foi notar a deturpação do movimento pela mídia global.
O mais doloroso não foi ver pessoas exigindo paz dos manifestantes e se calando diante da violência policial.
O mais doloroso não foi saber que no final do jogo o estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e
sacudindo essa cidade".
O mais doloroso não foi saber que jogadores abraçaram o presidente da CBF, que representa corrupção e impunidade.
O mais doloroso mesmo foi ouvir um grito de gol de um prédio, a poucos metros da bomba, do spray e do gás.
Essa indiferença camarada foi o que me machucou mais.
30 de jun. de 2013
Quantos milhões em ação?
O mais doloroso não foi ver o número de manifestantes reduzidos em comparação ao ato na Presidente Vargas com mais de 1 milhão de pessoas.
O mais doloroso não foi ver alguns gritarem "Sem violência!" para os manifestantes e se calarem diante da truculência da Polícia Militar.
O mais doloroso não foi notar pessoas no ato que se mostravam favoráveis ao fim da corrupção (como se alguém não fosse!) e enrolados na bandeira do Brasil, bradavam em tons ufanistas e integralistas a favor da Nação, em um discurso esvaziado e despolitizado.
O mais doloroso não foi refletir e perceber que o dinheiro do contribuinte é revertido também em armas letais e de tortura contra o mesmo indíviduo que cobra na ruas, o cumprimento das obrigações que o Estado tem com o povo.
O mais doloroso não foi pensar que parte daqueles que se mostravam a favor do ato, acenando das janelas e piscando as luzes de suas casas, chamariam os mesmos de vândalos e vagabundos após lerem sobre o assunto no jornal ou vissem na televisão algo a respeito.
O mais doloroso não foi perceber que a mídia tradicional do Brasil deturpa o número de manifestantes nas passeatas e pouco denuncia as arbitrariedades do Estado e da Polícia.
Tão doloroso quanto, foi ver um rapaz dentro do carro do Corpo de Bombeiros com o queixo ensanguentado após ser atingido por uma bala de borracha.
Tão doloroso quanto, foi visualizar policiais atirando em sequência diversas balas de borracha e soltando bombas de efeito moral no meio da multidão, a esmo.
O mais doloroso não foi saber que um policial do BOPE ria e filmava da caçamba de um carro, o sofrimento das pessoas que estavam ali resistindo.
O mais doloroso não foi saber que os próprios policiais se intoxicavam com o gás lacrimogênio 20% mais potente, comprado por governantes que a essa hora riam em casa da desgraça de todos que estavam ali na Tijuca.
O mais doloroso não foi chegar em casa e ver que no final do jogo a platéia no estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e sacudindo essa cidade"
O mais doloroso não foi ver Neymar, Fred, Paulinho e Júlio Cesar abraçarem (e um até beijou!) o presidente da CBF, José Maria Marín, ex-ARENA, acusado de desviar dinheiro público e ser um dos incentivadores da prisão do jornalista Vladimir Herzog, morto em seguida nos porões do DOI-CODI.
O mais doloroso mesmo foi ouvir de um prédio pequeno,
de mais ou menos uns 3 andares,
um grito de gol
de algumas pessoas,
indiferentes a tudo aquilo
que acontecia ali embaixo
na Rua São Francisco Xavier.
Isso camarada,
foi o que mais me machucou.
O mais doloroso não foi ver alguns gritarem "Sem violência!" para os manifestantes e se calarem diante da truculência da Polícia Militar.
O mais doloroso não foi notar pessoas no ato que se mostravam favoráveis ao fim da corrupção (como se alguém não fosse!) e enrolados na bandeira do Brasil, bradavam em tons ufanistas e integralistas a favor da Nação, em um discurso esvaziado e despolitizado.
O mais doloroso não foi refletir e perceber que o dinheiro do contribuinte é revertido também em armas letais e de tortura contra o mesmo indíviduo que cobra na ruas, o cumprimento das obrigações que o Estado tem com o povo.
O mais doloroso não foi pensar que parte daqueles que se mostravam a favor do ato, acenando das janelas e piscando as luzes de suas casas, chamariam os mesmos de vândalos e vagabundos após lerem sobre o assunto no jornal ou vissem na televisão algo a respeito.
O mais doloroso não foi perceber que a mídia tradicional do Brasil deturpa o número de manifestantes nas passeatas e pouco denuncia as arbitrariedades do Estado e da Polícia.
Tão doloroso quanto, foi ver um rapaz dentro do carro do Corpo de Bombeiros com o queixo ensanguentado após ser atingido por uma bala de borracha.
Tão doloroso quanto, foi visualizar policiais atirando em sequência diversas balas de borracha e soltando bombas de efeito moral no meio da multidão, a esmo.
O mais doloroso não foi saber que um policial do BOPE ria e filmava da caçamba de um carro, o sofrimento das pessoas que estavam ali resistindo.
O mais doloroso não foi saber que os próprios policiais se intoxicavam com o gás lacrimogênio 20% mais potente, comprado por governantes que a essa hora riam em casa da desgraça de todos que estavam ali na Tijuca.
O mais doloroso não foi chegar em casa e ver que no final do jogo a platéia no estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e sacudindo essa cidade"
O mais doloroso não foi ver Neymar, Fred, Paulinho e Júlio Cesar abraçarem (e um até beijou!) o presidente da CBF, José Maria Marín, ex-ARENA, acusado de desviar dinheiro público e ser um dos incentivadores da prisão do jornalista Vladimir Herzog, morto em seguida nos porões do DOI-CODI.
O mais doloroso mesmo foi ouvir de um prédio pequeno,
de mais ou menos uns 3 andares,
um grito de gol
de algumas pessoas,
indiferentes a tudo aquilo
que acontecia ali embaixo
na Rua São Francisco Xavier.
Isso camarada,
foi o que mais me machucou.
28 de mar. de 2013
O menino que jogava botão
Conversando com um ilustrador de um livro que estou organizando, chamado João Francisco:
- Raphael, já que você falou da sensibilidade desta sua amiga, vou te contar uma história que marcou muito.
- Diga.
- Uma vez estava expondo minhas gravuras aqui na Feira Hippie de Ipanema e percebi que alguém olhava com atenção uma ilustração de um menino jogando botão. Futebol de botão, conhece?
- Claro, jogava muito na minha infância.
- Pois é, o homem ficou admirando a figura por uns 15, 20 minutos. Quando cheguei perto dele, fiquei chocado. Era o Fernando Sabino!
- O escritor?
- Ele mesmo. Pensei em interrompê-lo, mas ele estava tão compenetrado que achei iria atrapalhá-lo. Esperei tanto que ele foi embora. Uns 2 meses depois ele voltou e repetiu a cena. Continuou admirando por um bom tempo o garoto se divertindo com o futebol de botão.
- E você foi falar com ele dessa vez?
- Dessa vez fui. Me apresentei, disse que trabalhava com gravuras desde a juventude. Ele me elogiou, disse que sempre passava pela feira e ia indicar-me à conhecidos. Passou mais uns 3 meses, ele morreu. Acho que estava com um câncer seríssimo. Com a sua visita fresca na minha memória, comecei a ler o jornal que falava sobre o seu falecimento. Nisso, vi a foto de sua lápide. Nela estava escrito:
" Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
- Raphael, já que você falou da sensibilidade desta sua amiga, vou te contar uma história que marcou muito.
- Diga.
- Uma vez estava expondo minhas gravuras aqui na Feira Hippie de Ipanema e percebi que alguém olhava com atenção uma ilustração de um menino jogando botão. Futebol de botão, conhece?
- Claro, jogava muito na minha infância.
- Pois é, o homem ficou admirando a figura por uns 15, 20 minutos. Quando cheguei perto dele, fiquei chocado. Era o Fernando Sabino!
- O escritor?
- Ele mesmo. Pensei em interrompê-lo, mas ele estava tão compenetrado que achei iria atrapalhá-lo. Esperei tanto que ele foi embora. Uns 2 meses depois ele voltou e repetiu a cena. Continuou admirando por um bom tempo o garoto se divertindo com o futebol de botão.
- E você foi falar com ele dessa vez?
- Dessa vez fui. Me apresentei, disse que trabalhava com gravuras desde a juventude. Ele me elogiou, disse que sempre passava pela feira e ia indicar-me à conhecidos. Passou mais uns 3 meses, ele morreu. Acho que estava com um câncer seríssimo. Com a sua visita fresca na minha memória, comecei a ler o jornal que falava sobre o seu falecimento. Nisso, vi a foto de sua lápide. Nela estava escrito:
" Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
6 de mar. de 2013
Um conto de duas cidades
Água forte cai do céu,
pois agora, ele está por lá.
Duas matérias
não cabem no mesmo lugar.
Se a água cai para dar as plantas
vida
Chávez sobe,
deixando dignidade
para muita gente sofrida.
Oprimida pelos novos colonialistas
viram no Comandante, a sua voz
contra ruralistas
lobbistas
e entreguistas.
Neste momento,
a dor fustiga
os novos 2 milhões de alfabetizados
venezuelanos.
Na Cidade Maravilhosa,
o descaso do governo
faz com que a chuva
nos provoque grandes danos.
Zonasulistas e suburbanos
do militante ao que se diz antipolítico.
Todos.
Obrigados a mudarem de planos.
Os inimigos de Hugo
por aqui, esbravejam
diante desses acontecimentos
e ao procurarem culpados
por seus tormentos efêmeros
dão de cara com um grande espelho.
Desses que de tão transparentes
são difíceis de reparar.
Só o notam quando
sabem que,
inevitavelmente,
seu feudo se afetará.
Amanhã é dia de sol
e tudo volta ao normal
no mundinho de quem se alimenta de inércia
e não "faz a hora" contra
o governo local.
Amanhã é dia de sol
para a mídia global,
que não nos mostra o que foi Ponte Llaguno
e ri do lamento geral.
Amanhã é dia de sol.
Dia eufórico para o capital.
A água que cai no sudeste do continente
são das lágrimas de um país
que beira a América Central.
29 de jan. de 2013
A conversão pode esperar
Mestre,
te faço um pedido
alonga essa bossa,
que não saia da nota,
mas preciso de um tempo
para essa levada
eu incorporar.
Nada contra teus comandos
nem teus venenos.
É que vem
como um sentimento,
o batuque autêntico
que você comanda.
Se trocares de nota
ficarei atento aos teus gestos
para que tua bateria
continue exemplar.
Mas entenda meu lado.
Não sou eu que toco a música.
É a música que me toca.
Então me dê uns segundos
para que gire meu mundo
com o suingue
que ela me proporciona
Essa levada me entorpece
vira minha alma do avesso
faz com que muito apreço
chame alguém para brincar.
Grave ou agudo
Caixa, agogô e surdo!
Venham
com o tamborim, conversar!
te faço um pedido
alonga essa bossa,
que não saia da nota,
mas preciso de um tempo
para essa levada
eu incorporar.
Nada contra teus comandos
nem teus venenos.
É que vem
como um sentimento,
o batuque autêntico
que você comanda.
Se trocares de nota
ficarei atento aos teus gestos
para que tua bateria
continue exemplar.
Mas entenda meu lado.
Não sou eu que toco a música.
É a música que me toca.
Então me dê uns segundos
para que gire meu mundo
com o suingue
que ela me proporciona
Essa levada me entorpece
vira minha alma do avesso
faz com que muito apreço
chame alguém para brincar.
Grave ou agudo
Caixa, agogô e surdo!
Venham
com o tamborim, conversar!
6 de nov. de 2012
A simbiose
O cheiro que
incomoda,
impregna
é o do cigarro.
Odor
abjeto
que me tira do sério.
Como podes tú,
com simples movimentos
dos braços ou dos cabelos
gerar aroma tão doce
que ao se confundir
com tais fumaças gris
transforma-se no mais longo sopro da Princesa Primavera?
É confuso
porque sabendo que fumas
meu cérebro já me direciona a ter asco do que está por vir
mas, por sair da tua boca
obrigatoriamente,
gotículas de mel vão de encontro a essa massa de ar cinza.
Desse jeito, a fumaça da cigarrilha
ao chegar nas minhas narinas
se encontra amarela, amarelinha.
E me sinto perplexamente agraciado.
De cinza, nublado
à amarelo ensolarado.
Como podes,tú?
É estranho
pois, é uma sensação de desprazer atraente
Meu olfato ainda percebe o tabaco,
mas ele está envolto pela sua fragrância.
O que me provoca curiosidade
e assim,
busco de forma incessante a origem desses inebriantes ares.
Quando as sereias cantaram:
"Venha para perto!"
Ulisses passou incólume a tentação da hipnótica canção,
por estar amarrado num mastro por seus marinheiros.
Ao te inspirar juntamente com o cigarro,
não quero mais ouvir ninguém dizendo:
"Cuidado! Cuidado! Não estás apressado?"
Entorpecido pela intensidade do seu ser,
jogarei-me de braços abertos
no reinado azul
da sereia que cativa os meus cinco sentidos.
22 de out. de 2012
A democrata cristã
- As pessoas estão cada vez mais individualistas!
Onde esse mundo vai parar?
pensou Fabíola Evangelista,
num domingo
em que saíra com seu cachorro de coleira
e focinheira para passear.
Onde esse mundo vai parar?
pensou Fabíola Evangelista,
num domingo
em que saíra com seu cachorro de coleira
e focinheira para passear.
20 de out. de 2012
Os meninos dos sorrisos fáceis
Dois meninos.
Muitas figurinhas.
Sintonia, amizade, diversão.
Brincam de virar cartas.
- Tio, quem falou primeiro?
É o que perguntam a mim
a fim de descobrirem quem começa a próxima jogada.
Só me resta admirar os dois pequenos mestres.
Disputam o privilégio de virar as cartas com as duas mãos
numa batalha argumentativa de chamar atenção.
Tento me inserir no contexto
como um fã aficionado por seu ídolo, ao vê-lo em ação.
Pergunto a eles
se sabem o motivo dos números pares saírem com maior frequência do que os ímpares
numa disputa de par ou ímpar.
Quem me responde é o desprezo.
Naquele pequeno universo composto por dois espíritos desprendidos
pouco importa as ciências exatas ou o racionalismo dos "tios".
Só me resta admirar os dois pequenos mestres
Enquanto perco tempo refletindo sobre erros do passado
eles aproveitam
criando, agindo e sorrindo no tempo presente.
Por isso, vivem!
Por riso!
O futuro?
Chegará no seu tempo.
Não se preocupam.
Não pensam ainda que o tempo da diversão da tarde,
pode ser o período que faltará no futuro
Por isso, vivem!
Por riso!
Muitas figurinhas.
Sintonia, amizade, diversão.
Brincam de virar cartas.
- Tio, quem falou primeiro?
É o que perguntam a mim
a fim de descobrirem quem começa a próxima jogada.
Só me resta admirar os dois pequenos mestres.
Disputam o privilégio de virar as cartas com as duas mãos
numa batalha argumentativa de chamar atenção.
Tento me inserir no contexto
como um fã aficionado por seu ídolo, ao vê-lo em ação.
Pergunto a eles
se sabem o motivo dos números pares saírem com maior frequência do que os ímpares
numa disputa de par ou ímpar.
Quem me responde é o desprezo.
Naquele pequeno universo composto por dois espíritos desprendidos
pouco importa as ciências exatas ou o racionalismo dos "tios".
Só me resta admirar os dois pequenos mestres
Enquanto perco tempo refletindo sobre erros do passado
eles aproveitam
criando, agindo e sorrindo no tempo presente.
Por isso, vivem!
Por riso!
O futuro?
Chegará no seu tempo.
Não se preocupam.
Não pensam ainda que o tempo da diversão da tarde,
pode ser o período que faltará no futuro
Por isso, vivem!
Por riso!
19 de out. de 2012
O prisioneiro
Estou em regime semi-aberto.
No confinamento
chego cedo e
recebo cumprimentos dos fiscais com um sorriso de canto de boca.
Na refeição, o básico.
Não tenho direito a bebida.
Todavia, os comandantes e seus agregados sempre arranjam, de maneira escusa, um suco ou refrigerante.
Trabalho na prisão embaixo de um sol escaldante.
Daqueles que só o Rio de Janeiro sabe proporcionar.
Ser obrigado a ficar em um mesmo lugar por muito tempo prejudica o meu estado emocional.
Tenho vontade de me mexer,
quero pular, correr
e não mais me manter na "postura adequada" do recinto.
Mas não posso.
Subverter essa demarcação significaria não ganhar os benefícios que amenizam
[sussurro...]
(mas não cessam!)
os meus sofrimentos,
quando retorno para casa.
Numa sexta-feira à noite, exercendo meu direito de liberdade parcial,
fui para a moradia de minha mãe
que já idosa e visivelmente afetada
com todos os acontecimentos decorrentes
me recebeu com um beijo amargo e desesperançoso.
Acompanhei-a ao seu quarto e vi
uma TV de 29 polegadas com LCD e LED, ligada no famoso jornal das oito horas.
Um apresentador com feições de ator hollywoodiano noticiava que uma rebelião
estava acontecendo, naquele exato momento, na capital financeira do país.
Os presos reivindicavam melhores condições de higiene no presídio e
um tratamento mais digno dos guardas e carcereiros, principalmente nas horas de trabalho forçado.
Parei por um instante e refleti:
"O quão difícil deve ser a vida de um presidiário!"
No confinamento
chego cedo e
recebo cumprimentos dos fiscais com um sorriso de canto de boca.
Na refeição, o básico.
Não tenho direito a bebida.
Todavia, os comandantes e seus agregados sempre arranjam, de maneira escusa, um suco ou refrigerante.
Trabalho na prisão embaixo de um sol escaldante.
Daqueles que só o Rio de Janeiro sabe proporcionar.
Ser obrigado a ficar em um mesmo lugar por muito tempo prejudica o meu estado emocional.
Tenho vontade de me mexer,
quero pular, correr
e não mais me manter na "postura adequada" do recinto.
Mas não posso.
Subverter essa demarcação significaria não ganhar os benefícios que amenizam
[sussurro...]
(mas não cessam!)
os meus sofrimentos,
quando retorno para casa.
Numa sexta-feira à noite, exercendo meu direito de liberdade parcial,
fui para a moradia de minha mãe
que já idosa e visivelmente afetada
com todos os acontecimentos decorrentes
me recebeu com um beijo amargo e desesperançoso.
Acompanhei-a ao seu quarto e vi
uma TV de 29 polegadas com LCD e LED, ligada no famoso jornal das oito horas.
Um apresentador com feições de ator hollywoodiano noticiava que uma rebelião
estava acontecendo, naquele exato momento, na capital financeira do país.
Os presos reivindicavam melhores condições de higiene no presídio e
um tratamento mais digno dos guardas e carcereiros, principalmente nas horas de trabalho forçado.
Parei por um instante e refleti:
"O quão difícil deve ser a vida de um presidiário!"
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