22 de jul. de 2013
1 de jul. de 2013
Quantos milhões em ação? (versão reduzida)
O mais doloroso não foi notar a deturpação do movimento pela mídia global.
O mais doloroso não foi ver pessoas exigindo paz dos manifestantes e se calando diante da violência policial.
O mais doloroso não foi saber que no final do jogo o estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e
sacudindo essa cidade".
O mais doloroso não foi saber que jogadores abraçaram o presidente da CBF, que representa corrupção e impunidade.
O mais doloroso mesmo foi ouvir um grito de gol de um prédio, a poucos metros da bomba, do spray e do gás.
Essa indiferença camarada foi o que me machucou mais.
30 de jun. de 2013
Quantos milhões em ação?
O mais doloroso não foi ver o número de manifestantes reduzidos em comparação ao ato na Presidente Vargas com mais de 1 milhão de pessoas.
O mais doloroso não foi ver alguns gritarem "Sem violência!" para os manifestantes e se calarem diante da truculência da Polícia Militar.
O mais doloroso não foi notar pessoas no ato que se mostravam favoráveis ao fim da corrupção (como se alguém não fosse!) e enrolados na bandeira do Brasil, bradavam em tons ufanistas e integralistas a favor da Nação, em um discurso esvaziado e despolitizado.
O mais doloroso não foi refletir e perceber que o dinheiro do contribuinte é revertido também em armas letais e de tortura contra o mesmo indíviduo que cobra na ruas, o cumprimento das obrigações que o Estado tem com o povo.
O mais doloroso não foi pensar que parte daqueles que se mostravam a favor do ato, acenando das janelas e piscando as luzes de suas casas, chamariam os mesmos de vândalos e vagabundos após lerem sobre o assunto no jornal ou vissem na televisão algo a respeito.
O mais doloroso não foi perceber que a mídia tradicional do Brasil deturpa o número de manifestantes nas passeatas e pouco denuncia as arbitrariedades do Estado e da Polícia.
Tão doloroso quanto, foi ver um rapaz dentro do carro do Corpo de Bombeiros com o queixo ensanguentado após ser atingido por uma bala de borracha.
Tão doloroso quanto, foi visualizar policiais atirando em sequência diversas balas de borracha e soltando bombas de efeito moral no meio da multidão, a esmo.
O mais doloroso não foi saber que um policial do BOPE ria e filmava da caçamba de um carro, o sofrimento das pessoas que estavam ali resistindo.
O mais doloroso não foi saber que os próprios policiais se intoxicavam com o gás lacrimogênio 20% mais potente, comprado por governantes que a essa hora riam em casa da desgraça de todos que estavam ali na Tijuca.
O mais doloroso não foi chegar em casa e ver que no final do jogo a platéia no estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e sacudindo essa cidade"
O mais doloroso não foi ver Neymar, Fred, Paulinho e Júlio Cesar abraçarem (e um até beijou!) o presidente da CBF, José Maria Marín, ex-ARENA, acusado de desviar dinheiro público e ser um dos incentivadores da prisão do jornalista Vladimir Herzog, morto em seguida nos porões do DOI-CODI.
O mais doloroso mesmo foi ouvir de um prédio pequeno,
de mais ou menos uns 3 andares,
um grito de gol
de algumas pessoas,
indiferentes a tudo aquilo
que acontecia ali embaixo
na Rua São Francisco Xavier.
Isso camarada,
foi o que mais me machucou.
O mais doloroso não foi ver alguns gritarem "Sem violência!" para os manifestantes e se calarem diante da truculência da Polícia Militar.
O mais doloroso não foi notar pessoas no ato que se mostravam favoráveis ao fim da corrupção (como se alguém não fosse!) e enrolados na bandeira do Brasil, bradavam em tons ufanistas e integralistas a favor da Nação, em um discurso esvaziado e despolitizado.
O mais doloroso não foi refletir e perceber que o dinheiro do contribuinte é revertido também em armas letais e de tortura contra o mesmo indíviduo que cobra na ruas, o cumprimento das obrigações que o Estado tem com o povo.
O mais doloroso não foi pensar que parte daqueles que se mostravam a favor do ato, acenando das janelas e piscando as luzes de suas casas, chamariam os mesmos de vândalos e vagabundos após lerem sobre o assunto no jornal ou vissem na televisão algo a respeito.
O mais doloroso não foi perceber que a mídia tradicional do Brasil deturpa o número de manifestantes nas passeatas e pouco denuncia as arbitrariedades do Estado e da Polícia.
Tão doloroso quanto, foi ver um rapaz dentro do carro do Corpo de Bombeiros com o queixo ensanguentado após ser atingido por uma bala de borracha.
Tão doloroso quanto, foi visualizar policiais atirando em sequência diversas balas de borracha e soltando bombas de efeito moral no meio da multidão, a esmo.
O mais doloroso não foi saber que um policial do BOPE ria e filmava da caçamba de um carro, o sofrimento das pessoas que estavam ali resistindo.
O mais doloroso não foi saber que os próprios policiais se intoxicavam com o gás lacrimogênio 20% mais potente, comprado por governantes que a essa hora riam em casa da desgraça de todos que estavam ali na Tijuca.
O mais doloroso não foi chegar em casa e ver que no final do jogo a platéia no estádio gritava: "...é lindo o meu Brasil contagiando e sacudindo essa cidade"
O mais doloroso não foi ver Neymar, Fred, Paulinho e Júlio Cesar abraçarem (e um até beijou!) o presidente da CBF, José Maria Marín, ex-ARENA, acusado de desviar dinheiro público e ser um dos incentivadores da prisão do jornalista Vladimir Herzog, morto em seguida nos porões do DOI-CODI.
O mais doloroso mesmo foi ouvir de um prédio pequeno,
de mais ou menos uns 3 andares,
um grito de gol
de algumas pessoas,
indiferentes a tudo aquilo
que acontecia ali embaixo
na Rua São Francisco Xavier.
Isso camarada,
foi o que mais me machucou.
28 de mar. de 2013
O menino que jogava botão
Conversando com um ilustrador de um livro que estou organizando, chamado João Francisco:
- Raphael, já que você falou da sensibilidade desta sua amiga, vou te contar uma história que marcou muito.
- Diga.
- Uma vez estava expondo minhas gravuras aqui na Feira Hippie de Ipanema e percebi que alguém olhava com atenção uma ilustração de um menino jogando botão. Futebol de botão, conhece?
- Claro, jogava muito na minha infância.
- Pois é, o homem ficou admirando a figura por uns 15, 20 minutos. Quando cheguei perto dele, fiquei chocado. Era o Fernando Sabino!
- O escritor?
- Ele mesmo. Pensei em interrompê-lo, mas ele estava tão compenetrado que achei iria atrapalhá-lo. Esperei tanto que ele foi embora. Uns 2 meses depois ele voltou e repetiu a cena. Continuou admirando por um bom tempo o garoto se divertindo com o futebol de botão.
- E você foi falar com ele dessa vez?
- Dessa vez fui. Me apresentei, disse que trabalhava com gravuras desde a juventude. Ele me elogiou, disse que sempre passava pela feira e ia indicar-me à conhecidos. Passou mais uns 3 meses, ele morreu. Acho que estava com um câncer seríssimo. Com a sua visita fresca na minha memória, comecei a ler o jornal que falava sobre o seu falecimento. Nisso, vi a foto de sua lápide. Nela estava escrito:
" Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
- Raphael, já que você falou da sensibilidade desta sua amiga, vou te contar uma história que marcou muito.
- Diga.
- Uma vez estava expondo minhas gravuras aqui na Feira Hippie de Ipanema e percebi que alguém olhava com atenção uma ilustração de um menino jogando botão. Futebol de botão, conhece?
- Claro, jogava muito na minha infância.
- Pois é, o homem ficou admirando a figura por uns 15, 20 minutos. Quando cheguei perto dele, fiquei chocado. Era o Fernando Sabino!
- O escritor?
- Ele mesmo. Pensei em interrompê-lo, mas ele estava tão compenetrado que achei iria atrapalhá-lo. Esperei tanto que ele foi embora. Uns 2 meses depois ele voltou e repetiu a cena. Continuou admirando por um bom tempo o garoto se divertindo com o futebol de botão.
- E você foi falar com ele dessa vez?
- Dessa vez fui. Me apresentei, disse que trabalhava com gravuras desde a juventude. Ele me elogiou, disse que sempre passava pela feira e ia indicar-me à conhecidos. Passou mais uns 3 meses, ele morreu. Acho que estava com um câncer seríssimo. Com a sua visita fresca na minha memória, comecei a ler o jornal que falava sobre o seu falecimento. Nisso, vi a foto de sua lápide. Nela estava escrito:
" Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino."
6 de mar. de 2013
Um conto de duas cidades
Água forte cai do céu,
pois agora, ele está por lá.
Duas matérias
não cabem no mesmo lugar.
Se a água cai para dar as plantas
vida
Chávez sobe,
deixando dignidade
para muita gente sofrida.
Oprimida pelos novos colonialistas
viram no Comandante, a sua voz
contra ruralistas
lobbistas
e entreguistas.
Neste momento,
a dor fustiga
os novos 2 milhões de alfabetizados
venezuelanos.
Na Cidade Maravilhosa,
o descaso do governo
faz com que a chuva
nos provoque grandes danos.
Zonasulistas e suburbanos
do militante ao que se diz antipolítico.
Todos.
Obrigados a mudarem de planos.
Os inimigos de Hugo
por aqui, esbravejam
diante desses acontecimentos
e ao procurarem culpados
por seus tormentos efêmeros
dão de cara com um grande espelho.
Desses que de tão transparentes
são difíceis de reparar.
Só o notam quando
sabem que,
inevitavelmente,
seu feudo se afetará.
Amanhã é dia de sol
e tudo volta ao normal
no mundinho de quem se alimenta de inércia
e não "faz a hora" contra
o governo local.
Amanhã é dia de sol
para a mídia global,
que não nos mostra o que foi Ponte Llaguno
e ri do lamento geral.
Amanhã é dia de sol.
Dia eufórico para o capital.
A água que cai no sudeste do continente
são das lágrimas de um país
que beira a América Central.
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